
Pesquisadores estão interessados em descobrir a relação entre as constantes estiagens que têm atingido cidades do Pampa com o fato de a região ser considerada a segunda mais depredada do Brasil pela pesquisa Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2012, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O primeiro lugar em devastação no Rio Grande do Sul é a Mata Atlântica. O Pampa é uma vasta região de pradarias que se estende pelo sul do Estado, pelo Uruguai e por parte da Argentina. A cobertura natural é de campos, que foram palco de centenas de batalhas travadas durante a demarcação das fronteiras entre os três países.
Por muitos anos, a região foi ocupada pela criação extensiva de gado (o animal era abandonado à própria sorte no pasto). Nas últimas três décadas houve uma modernização acelerada da pecuária, a implantação de lavouras de arroz irrigado e outras atividades comerciais, incluindo o florestamento de vastas áreas.
– Com a intensificação do plantio da soja, hoje somos a mais nova fronteira agrícola do país – constata o veterinário Marcos Borba, doutor em agrometeorologia, desenvolvimento sustentável e pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS).
A substituição da cobertura natural do Pampa por lavouras e outros tipos de atividades agrícolas, a exemplo do que ocorreu em outras regiões do mundo, acaba influenciando o clima, observa o agrometeorologista Gilberto Cunha, autor de vários livros (entre eles A Ciência Como Ela É) e pesquisador da Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS). Cunha diz que as mudanças levadas para o Pampa pela substituição da cobertura natural são bem menores do que as causadas à Mata Atlântica e, principalmente, ao Cerrado.
– É uma necessidade sabermos quais são as influências que as atividades econômicas estão trazendo para o clima – acrescenta o pesquisador.
>>> Confira a matéria original publicada em Zero Hora
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